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Como o teu filho(a) poderá sobreviver num mundo cada dia mais material?

Tenho reparado num padrão cada dia mais habitual quando recebo Pais e os seus filho(a)s nas nossas sessões de Coaching. Muito provavelmente, sem que os Pais se apercebam, vão educando os seus filho(a)s, dando mais valor ao “ter” do que ao “ser”. Este padrão irá influenciar o auto-conceito do seu filho(a), criando dificuldades em lidar com o “não” ou a rejeição, e aumentando os níveis de agressividade como resposta a situações com as quais não sabe lidar.

Gosto particularmente de uma frase do conceituado autor Brasileiro, Augusto Cury, onde diz:

Prepara o teu filho para “ser”, pois o mundo o irá preparar para “ter”.

O “ser” está ligado à identidade – quem somos, e construir essa identidade exige um relação intra e interpessoal (iniciada pelo pais) porque toda a aprendizagem necessita de um vínculo emocional, e um auto-conhecimento de si mesmo, proporcionado pelo ambiente familiar e escolar, que vai ajudar o teu filho(a) a aprender a “ser” e a sentir esse “ser” de uma forma mais completa.

Quando construímos um “ser” alicerçado no “ter” estamos a construir uma felicidade e bem-estar baseado no que os nossos filho(a)s têm, no que está fora dele, no que é palpável e usado para se sentir mais visível entre os seus pares. O problema é quando deixamos de ter as coisas que nos “fazem sentir felizes”, parece que o nosso “ser” fica abalado e colocamos em causa quem somos, a nossa identidade.

Para teres uma ideia do que quero partilhar contigo, vê o exemplo seguinte:

  1. Construir o “ser” ancorado no “ter”
    Os colegas do teu filho(a) têm telemóvel, mas ele(a) ainda não tem. Como se sente “deslocado” do grupo de amigos pede-te insistentemente para comprar um. Não desiste e todos os dias lá está ele(a) a pedir. Até que finalmente acede ao seu desejo e compra. Instantaneamente sente-se mais feliz, mas com o passar do tempo essa sensação desaparece até voltar a sentir nova necessidade de ter algo.
  2. Construir o “Ser” com base no auto-conhecimento e na relação intra e interpessoal
    A mesma situação, os colegas do teu filho(a) têm telemóvel e ele(a) não tem. Como se sente “deslocado” do grupo de amigos pede-te insistentemente para comprar um. A mãe atenta à situação pergunta-lhe:

– Como essa situação te faz sentir? Para que precisarias de um telemóvel? Depois de ter o telemóvel, o que achas que mudaria na tua vida?

Com perguntas ajudas o teu filho(a) a refletir sobre o que sente, as emoções associadas, e a encontrar soluções para ir de encontro ao que o(a) deixa mais triste. Para além disso consegues identificar que necessidades ele está a sentir falta e ajudá-lo(a) a preenche-las.

Pegando neste último exemplo, deixa-me partilhar algumas sugestões do que podes fazer em casa:

  1. Trabalhar a gratidão

Na prática é simplesmente fazeres esta simples pergunta, todos os dias (escolher o momento para tal) pedindo uma resposta, sempre que possível, diferente: Pelo que tu és/sentes grato hoje? Após a resposta podes continuar e perguntar porquê, ajudando-o a entender todas as emoções e sentimentos por detrás dessa gratidão.

  • Valorizar o esforço

Se chegares à conclusão com o teu filho(a) que o telemóvel seria um instrumento importante para ambos, porque não começar a valorizar o esforço para o ter. Ajuda o teu filho(a) a “trabalhar” para conseguir o que quer e assim, irá valorizar muito mais o que tem.

Poderia dar-te muitas mais dicas mas, com o que tens aqui, já é muito trabalhinho para praticares com o teu flho(a) e ajudá-lo(a) a criar um “ser” muito mais forte e poderoso.

Acredita mais em ti!
Tem um excelente dia! 🙂